não sei mais escrever.
queria saber fazer outra coisa.
coloria a folha grande branca com gotas de vermelho e gravava em minha retina a velocidade da absorção e da cicatriz, uma a uma, repetido, molhado e seco circular.
silenciava o vazio com o risco assertivo e no movimento para o infinito imprimia meu gesto no ar que ficava ali, mudo, respirando.
construía um labirinto medieval de seqüência numérica perfeita e indecifrável e dentro dele, uma rosa e um minotauro, paredes enfeitadas de fotos impublicáveis, silêncio, tuas patas, meus olhos tristes.
e nenhuma palavra: só o ar do tempo.
meu corpo está pesado e seco, não posso aprender nada.
não sei mais escrever.
terça-feira, 17 de fevereiro de 2009
sábado, 3 de janeiro de 2009
ano novo
na chegada, cotonetes pelo chão, um cheiro de velhice e sujeira, a bagunça esquecida sobre a mesa, estranheza na caixa postal, uma tristeza aqui dentro comigo.
vou comprar um fogão novo, prometo, porque queria bater um bolo pra fingir que inundava esse lugar de alguma alegria.
não gosto de voltar de viagem.
não gosto da minha casa.
mas esse ano será melhor, ele disse e eu acredito: estamos mais perto de 2010.
vou comprar um fogão novo, prometo, porque queria bater um bolo pra fingir que inundava esse lugar de alguma alegria.
não gosto de voltar de viagem.
não gosto da minha casa.
mas esse ano será melhor, ele disse e eu acredito: estamos mais perto de 2010.
prateleira:
falatório,
fôrma,
mulherzinha,
na travessia
terça-feira, 23 de dezembro de 2008
segunda-feira, 10 de novembro de 2008
terça-feira, 28 de outubro de 2008
ridiculinha, 32
cenografia:
eu fazia as perguntas e tu gargalhavas respostas.
inclusive sobre abraçadeiras.
eu fazia as perguntas e tu gargalhavas respostas.
inclusive sobre abraçadeiras.
domingo, 26 de outubro de 2008
semanário de poa, 2
eu não consigo cumprir a promessa. nenhuma delas.
sinto tristeza de passarinho.
trabalho sem respiro na cidade que queima sufocante só pra que os dias corram velozes ao teu encontro. mas são as noites sozinhas que pesam como um pano preto em meus olhos ásperos e cheios.
quando choro, minha princesa oferece-me um lenço: ela também tem saudade.
sinto tristeza de passarinho.
trabalho sem respiro na cidade que queima sufocante só pra que os dias corram velozes ao teu encontro. mas são as noites sozinhas que pesam como um pano preto em meus olhos ásperos e cheios.
quando choro, minha princesa oferece-me um lenço: ela também tem saudade.
domingo, 19 de outubro de 2008
semanário de poa
a casa esteve muito vazia.
fez muito calor.
cortei os cabelos.
ontem e hoje os dias esqueceram de amanhecer.
cantei por ti e a luz nova trouxe uma felicidade.
a saudade é tanta que ensurdece.
fez muito calor.
cortei os cabelos.
ontem e hoje os dias esqueceram de amanhecer.
cantei por ti e a luz nova trouxe uma felicidade.
a saudade é tanta que ensurdece.
segunda-feira, 8 de setembro de 2008
revisão
a noite foi acesa como meu estômago em chamas, as horas dormidas de confusão mal sonhada, e acordei como se saída da boca de um dragão; na manhã madrugada, um sono sem solução nem repouso, um quase trabalho; o almoço trivial de alegria e cansaço maternos, bis e cochilo de sobremesa, lembrei-me da minha mãe, acho que envelheço; no fim da tarde estranha desse dia estranhíssimo, boto os filhos e meu corpo desencontrado no eldorado pra encomendar os óculos, e enquanto espero bato pernas por ali fingindo ser uma daquelas, calcinha sapatilha meia tic-tac pedraria telefone vestido sanduíche, pago tudo com o dinheiro que não tenho, e de posse do novo adorno, subitamente, pretendo transformar-me, borboleta: compro o bilhete da loteria e a certeza poder agora sim enxergar o caminho.
segunda-feira, 1 de setembro de 2008
terça-feira, 26 de agosto de 2008
fatura
escuta, por favor, eu não quero muito, quantas vezes tenho de repetir isso, preciso de tão pouco, é tão simples o que peço, uma casa em que caibam os meus amores, todos juntos e debaixo do mesmo teto, e o resto eu asseguro que florescerá ensolarado porque é muito amor que tem aqui, muito mesmo, mas o amor nesse mundo horroroso medonho fedorento não vale aluguel nem amores todos juntos, eu sei, mas eu não tenho preguiça, não tenho não, não tenho medo do trabalho, sei fazer algumas belezas e só quero poder dizer, só isso, e esse pequeno isso tem alguma valia e muita valentia e portanto não é justo que passe meus dias de olhos inchados e mãos desajustadas, pois que disseram em teu nome que o que importa são os atos de amor e que eu mereço a graça infinita das tuas bênçãos.
meu rosal só tem atos de amor.
eu agradeço todos os dias por ser capaz de amar.
por favor, escuta por favor, faça a tua parte.
meu rosal só tem atos de amor.
eu agradeço todos os dias por ser capaz de amar.
por favor, escuta por favor, faça a tua parte.
prateleira:
carta ridícula,
falatório,
na travessia

